O défice democrático ou a fatalidade portuguesa
Depois da corrupção vem à luz a bajulação.
O poder detesta a irreverência. Sempre foi assim.
Este país está a ficar um paraíso virado do avesso. Já não bastava a crise económico-financeira e o baixo nível de vida. Agora acentua-se a crise de corrupção dos valores.
Os agentes perversos começaram de mansinho infiltrando-se na política. Quase sempre agarradinhos aos partidos do poder. Primeiramente, os mais velhos já tarimbados pelas experiencias passadas e, depois, as crias bem instruídas pelos mestres. Mais recentemente, outros que tinham resistido deixaram-se domar para poderem partilhar do bodo.
Nos anos 80 começam a devorar as empresas públicas enquanto a geração mais jovem estagiava nas “jotas”. Agora espalham-se por todos os níveis da administração pública.
É um ver se te avias! É sacar vilanagem!
A história vai-se repetindo, reproduzindo na sociedade portuguesa, os actores seculares da corrupção, da bajulação e da inveja. Estou a compreender a mensagem do meu pai quando em 1961 me achou a atenção:
- Quando o Salazar morrer ficam cá, disse apontando para o dedo mindinho, milhões de salazarentos assim deste tamanho.
Eu agora acrescento os marcos históricos, elogiados, tantas vezes, quando é necessário justificar o poder, que aculturaram os portugueses aos seus desígnios:
- A Inquisição, o Marquês de Pombal e Pina Manique e tantos outros quando se sentem dotados de poder absoluto.
Basta haver uma maioria absoluta nas eleições para os actores vestirem a pele de ditadores e repressores quando se torna conveniente mostrar quem manda. Depois falam da falta de cidadania do povo. Os poderosos não têm mácula?
Actualmente destacam-se três grupos de actores na cena política, dois deles principais:
- O grupo do poder que adora mandar e que lhe lambam as botas;
- O grupo dos lacaios, servos, graxas, bufos, moscas, morcegos, moscardos, chibos, delatores, denunciantes, “pides” e também pides que são utilizados pelo primeiro grupo para tudo.
Por fim, temos o grupo dos irreverentes que tem sido reduzido em número e influência, porque uns estão adormecidos pelo chavão de que a democracia irá resolver todos os problemas dos portugueses e, outros, com receio das consequências repressivas que podem de ser expressa noutro chavão:
- “ Aí seu teso levas porrada e ainda vais preso!”
Depois do défice democrático da Madeira tão apregoado conforme as conveniências, revela-se um cada vez mais défice no Continente.
A falta de vergonha está a banalizar-se.
Partindo da arrogância a roçar a falta de educação do 1.º Ministro, na forma como tratar os deputados quando vai à Assembleia de República, seguem-se as bombadas de alguns ministros quando se referem aos cidadãos.
Mas pior, são a punição por delito de opinião de Fernando Portal em S. João da Madeira e a bufaria a trabalhar, a saber por enquanto os casos:
- Prof. Charrua;
- Maria Celeste Cardoso, em Vieira do Minho.
Também não fica bem ao líder da oposição criticar o que se passa no Continente e dar améns ao que se passa na Madeira.
Vamos varrer a esta “Viradeira”.
Mexam-se, sejam activos.
Sal Urbano, muito irado com “esta merda toda”.
06/07/2007

1 Comentários:
Só falta acrescentar a última declaração pública de uma senhora deste governo: "porque vivemos em democracia....dizer mal do governo só em casa ou entre amigos!!!!"
bjs de Aljezur, para o Sal Urbano:))
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