06/07/2007

O défice democrático ou a fatalidade portuguesa

Depois da corrupção vem à luz a bajulação.
O poder detesta a irreverência. Sempre foi assim.
Este país está a ficar um paraíso virado do avesso. Já não bastava a crise económico-financeira e o baixo nível de vida. Agora acentua-se a crise de corrupção dos valores.

Os agentes perversos começaram de mansinho infiltrando-se na política. Quase sempre agarradinhos aos partidos do poder. Primeiramente, os mais velhos já tarimbados pelas experiencias passadas e, depois, as crias bem instruídas pelos mestres. Mais recentemente, outros que tinham resistido deixaram-se domar para poderem partilhar do bodo.

Nos anos 80 começam a devorar as empresas públicas enquanto a geração mais jovem estagiava nas “jotas”. Agora espalham-se por todos os níveis da administração pública.
É um ver se te avias! É sacar vilanagem!

A história vai-se repetindo, reproduzindo na sociedade portuguesa, os actores seculares da corrupção, da bajulação e da inveja. Estou a compreender a mensagem do meu pai quando em 1961 me achou a atenção:
- Quando o Salazar morrer ficam cá, disse apontando para o dedo mindinho, milhões de salazarentos assim deste tamanho.
Eu agora acrescento os marcos históricos, elogiados, tantas vezes, quando é necessário justificar o poder, que aculturaram os portugueses aos seus desígnios:
- A Inquisição, o Marquês de Pombal e Pina Manique e tantos outros quando se sentem dotados de poder absoluto.
Basta haver uma maioria absoluta nas eleições para os actores vestirem a pele de ditadores e repressores quando se torna conveniente mostrar quem manda. Depois falam da falta de cidadania do povo. Os poderosos não têm mácula?


Actualmente destacam-se três grupos de actores na cena política, dois deles principais:
- O grupo do poder que adora mandar e que lhe lambam as botas;
- O grupo dos lacaios, servos, graxas, bufos, moscas, morcegos, moscardos, chibos, delatores, denunciantes, “pides” e também pides que são utilizados pelo primeiro grupo para tudo.
Por fim, temos o grupo dos irreverentes que tem sido reduzido em número e influência, porque uns estão adormecidos pelo chavão de que a democracia irá resolver todos os problemas dos portugueses e, outros, com receio das consequências repressivas que podem de ser expressa noutro chavão:
- “ Aí seu teso levas porrada e ainda vais preso!”

Depois do défice democrático da Madeira tão apregoado conforme as conveniências, revela-se um cada vez mais défice no Continente.
A falta de vergonha está a banalizar-se.

Partindo da arrogância a roçar a falta de educação do 1.º Ministro, na forma como tratar os deputados quando vai à Assembleia de República, seguem-se as bombadas de alguns ministros quando se referem aos cidadãos.
Mas pior, são a punição por delito de opinião de Fernando Portal em S. João da Madeira e a bufaria a trabalhar, a saber por enquanto os casos:
- Prof. Charrua;
- Maria Celeste Cardoso, em Vieira do Minho.

Também não fica bem ao líder da oposição criticar o que se passa no Continente e dar améns ao que se passa na Madeira.

Vamos varrer a esta “Viradeira”.

Mexam-se, sejam activos.

Sal Urbano, muito irado com “esta merda toda”.

06/07/2007

Meias verdades ou meias mentiras

Durante os exames os comentários eram sempre os mesmos nos jornais:
- O grau de dificuldade dos exames tinha baixado.
Agora a ministra tira dividendos. VER A SEGUIR ...

"Exames Nacionais
Ministra congratula-se com melhoria de resultados no secundário (DD)
A ministra da Educação congratulou-se hoje com a melhoria dos resultados da primeira fase dos exames nacionais do secundário relativamente a 2006, salientando que, pela primeira vez, a média dos alunos internos a Matemática é positiva."

Nem sequer são originais. Já vi este filme uns anos atrás no governo do Professor Cavaco. Curou-se o insucesso escolar facilitando as passagens de ano.

Vivam as estatísticas !!

SAL URBANO, educando

06/07/2007

19/06/2007

O MINISTRO “KALINAS” E “O POÇO DA OTA”

Como é que os portugueses se divertiam se não existisse em cada governo pelo menos um “ministro Kalinas”?
Este por acaso tem mais do que um !
Os desertificados deste país que também possui eminências cinzento pardas, exigem para o futuro que “jamais” se esqueçam de compor também os novos governos com algums “ministros kalinas” para aumentar a nossa moral.
Atenção ! É necessário impor pelo menos uma condição. É preciso capá-los primeiro para que eles não nos continuam f…r, ou enganar. Dá tudo no mesmo.
Por agora só estou a pensar no trabalho que vão ter para tirar os aviões do poço da Ota.

Àfrica Sul Sariana, 19 de Junho de 2007

SAL URBANO (Em férias)

04/06/2007

Mediocridade de Espírito

O nosso máximo esforço de independência consiste em opor, por vezes, um pouco de resistência às sugestões quotidianas. A grande massa humana nenhuma resistência opõe e segue as crenças, as opiniões e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consciência do que a folha seca arrastada pelo vento.Só numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opiniões pessoais. Todos os progressos da civilização procedem, evidentemente, desses espíritos superiores, mas não se pode desejar a sua multiplicação sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos rápidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo anárquica. A estabilidade necessária à sua existência é precisamente estabelecida graças ao grupo compacto dos espíritos lentos e medíocres, governados por influências de tradições e de meio.
É, portanto, útil para uma sociedade que ela se componha de uma maioria de homens médios, desejosos de agir como toda a gente, que têm por guias as opiniões e as crenças gerais. É muito útil também que as opiniões gerais sejam pouco tolerantes, pois o medo do juízo alheio constitui uma das bases mais seguras da nossa moral.A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo, sobretudo associada a certas qualidades de carácter. Instintivamente, a Inglaterra o compreendeu, e é por isso que nesse país, embora seja um dos mais liberaisdo universo, o livre-pensamento sempre foi bastante mal visto.

Gustave Le Bon, in 'As Opiniões e as Crenças'

Cultores da mediocridade

Huberto Rohden - Do livro: De Alma paraAlma

Meu ignoto amigo. Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes:
Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contra bando de idéias novas.
Não penses nunca com o próprio cérebro — mas sempre com a cabeça dos outros.
Dize sempre sim quando os outros dizem sim — e não quando os outros dizem não.
Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas 24 horas.
Quando vier alguém com idéias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta de herege e demolidor.
Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz — mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.
Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona — e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.
Prefere sempre as paredes maciças dum cárcere e as grades duma gaiola às incertezas dum vôo estratosférico.
Não abras nunca portas fechadas — abre tão somente portas abertas.
Não explores caminhos novos, como os bandeirantes — anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.
Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros — e não procures caminho à margem da rotina geral.
Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.
Destarte, conservarás a saúde e a tranqüilidade dos nervos e poderás tomar, cada dia, com sossego, teu chope ou coquetel — e passar por homem de bem.
* * *
Se, porém, resolveres, um dia, sair da rotina tradicional e expor-te ao perigo mortífero dum ideal superior, então lê com atenção o que te diz um homem que conhece a vida:
Vai às margens do Ganges e pede ao mais robusto dos elefantes que te ceda a sua pele paquidérmica, para com ela revestires a tua alma.
Vai as praias do Nilo e arranca ao mais velho dos crocodilos a sua impenetrável couraça e faze dela o invólucro do teu coração.
Senta-te aos pés de mestre Zenon, rei dos Estóicos, e pede que te ensine à filosofia de ser pedra in bloco de gelo, cadáver ambulante, indiferença absoluta.
E, depois de assim encouraçares a tua alma, sai por este mundo afora e dize aos homens da honesta mediocridade que vives por um ideal que não está no estômago, nem nos nervos nem no sangue — e verás que eles te declararão guerra de morte.
Pois, deves saber, meu amigo, que o mundo não sacrifica um só ídolo por um ideal.
Desde que o mais arrojado idealista da história foi crucificado, morto e sepultado — são todos os idealistas crucificados pelos culto da mediocridade.
Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte.
Tudo que é belo e grande — acaba fatalmente entre os braços da cruz.
É esta a gloriosa tragédia dos homens superiores.
Huberto Rohden

Originalidade Medíocre
Não procureis a originalidade. Ela acompanha, o mais das vezes, inteligências medíocres. Só tem direito de ser original quem não procura sê-lo. O génio não é feito apenas de originalidade. Esta precisa de ser a expressão do pensamento ou da aspiração universal. A originalidade, por si só, é qualidade negativa; precisa de juntar-se a outra para ter valor, e este valor dependerá da qualidade positiva que a acompanha. Joaquim Nabuco, in 'Pensées Détachées et Souvenirs'

A Mediocridade que Vulgariza o Talento
Não se tem ideia como abunda a mediocridade. (...) São pessoas como essas que travam sempre, em todos os lados, a máquina accionada pelos homens de talento. Os homens superiores são por natureza inovadores. Quando surgem deparam com o disparate e a mediocridade por todos os lados (ela que tudo domina e que se manifesta em tudo o que se faz). O seu impulso natural é assentar tudo de novo em terreno sólido e experimentar caminhos novos, para fugir a essa vulgaridade e parvoíce. Se por acaso eles triunfam e acabam por levar a melhor sobre a rotina, têm de ser ver a contas, por seu turno, com os incapazes - que fazem ponto de honra da cópia grosseira dos seus processos e estragam tudo o que lhes vem às mãos. Depois deste primeiro movimento, que leva os inovadores a sairem das sendas já traçadas, segue-se quase sempre outro que os faz, no fim da sua carreira, conter o indiscreto entusiasmo que vai sempre demasiado longe e que, pelo exagero, arruina o que inventaram. Ao se darem conta do triste uso que é feito das inovações que eles lançaram no mundo, começam a elogiar aquilo que, afinal, graças a eles, foi ultrapassado. Talvez haja neles como que um secreto impulso de egoísmo, que os leva a tiranizar a tal ponto os seus contemporâneos e a considerar que só eles podem determinar o que deve ou não ser criticado. É a sua quota-parte de mediocridade; esta fraqueza fá-los por vezes desempenhar um papel ridículo e indigno da consideração a que conquistaram direito.
Eugène Delacroix, in 'Diário'